Lubrificantes 0W-20 vs 5W-30: porque é que os carros modernos exigem viscosidades tão baixas?
Cada vez mais fabricantes aprovam os lubrificantes 0W-20 em motores que há alguns anos exigiam 5W-30, e não se trata de uma moda passageira: é uma resposta a motores mais aperfeiçoados e que procuram um menor consumo. Aqui explicamos o que realmente diferencia estas duas viscosidades, quando são intercambiáveis e o que acontece se não for respeitada a referência definida pelo fabricante.
Se trocou de carro recentemente e o manual do veículo já não requer o habitual lubrificante 5W-30, mas sim um lubrificante 0W-20, não é o único a ter dúvidas. A dúvida é razoável: à primeira vista, ambos os lubrificantes parecem "iguais, mas com um número diferente". Na oficina ou na prateleira, é fácil pensar que são equivalentes. A Repsol Lubricants acredita que, antes de decidir, é importante entender o que mede realmente cada número, porque é que os motores atuais exigem viscosidades cada vez mais baixas e em que casos essa mudança de duas unidades não é tão inócua como parece.
A nomenclatura 0W-20 ou 5W-30 não é um nome comercial. Trata-se de uma classificação de viscosidade da SAE (Society of Automotive Engineers), o organismo que regula a forma como a fluidez de um lubrificante é medida em função da sua temperatura. Simplificando, a viscosidade é a resistência de um fluido ao fluxo: quanto mais viscoso for, mais espesso será e mais lentamente se move.
Cada denominação tem duas partes:
Um lubrificante multigrau, como são praticamente todos os atuais, cumpre ambos os requisitos graças aos pacotes de aditivos que estabilizam o seu comportamento numa ampla gama de temperaturas. Em caso de dúvidas, consulte o guia rápido sobre viscosidade, que resolve as dúvidas mais comuns sobre este tópico.
Um detalhe importante: a diferença entre 20 e 30 a quente não se traduz num número universal de centistokes ou HTHS (viscosidade a alta temperatura e alto cisalhamento, o parâmetro que realmente protege o motor sob condições exigentes), porque cada formulação varia segundo o fabricante do lubrificante. O que se mantém constante é a tendência: quanto menor for o segundo número, menor será a espessura da película de lubrificante a quente.
Por este motivo, o mais indicado é consultar sempre o manual do veículo e optar por lubrificantes que cumpram as especificações exigidas pelo fabricante do motor. No catálogo de lubrificantes para automóveis da Repsol pode encontrar formulações adaptadas aos diferentes graus de viscosidade e às necessidades específicas de cada tipo de motor, seja a gasolina, diesel ou de última geração.
Para quem procura o mais elevado nível de proteção e desempenho, a gama Elite da Repsol oferece lubrificantes sintéticos de alto desempenho, concebidos para cumprir as exigências térmicas e mecânicas dos motores modernos, incluindo os que exigem um HTHS elevado para garantir uma lubrificação ótima, mesmo nas condições mais severas.
Com as devidas reservas pelo facto de os números exatos dependerem sempre da formulação de cada lubrificante e das condições reais de utilização, esta é a comparação de tendências entre ambas as viscosidades:
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Aspeto |
0W-20 |
5W-30 |
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Fluidez a frio |
Muito alta, atingindo mais cedo todas as peças no arranque |
Alta, mas ligeiramente mais lenta do que no 0W com frio extremo |
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Espessura da película a quente |
Mais fina; menor resistência interna (atrito) |
Mais espessa; maior margem de proteção em condições de carga elevada |
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Eficiência/consumo |
Tende a reduzir o atrito interno do motor e, por conseguinte, o consumo |
Consumo ligeiramente superior em comparação com o 0W20 para o mesmo motor, se estiver homologado para ambos |
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Comportamento em climas frios |
Adequado para climas europeus |
Adequado para climas europeus |
Esta tabela resume uma tendência geral e não uma garantia de desempenho; não existe um valor único de poupança no consumo ou de proteção que seja aplicável a todos os motores. O comportamento real depende da conceção do motor, do pacote de aditivos do lubrificante específico e das condições de utilização (urbana, autoestrada, temperatura ambiente, carga do veículo).
A pergunta certa não é "qual é o melhor?", mas sim "qual pede o meu motor?". Essa resposta não é dada pelo lubrificante: é dada pelo fabricante do veículo, através do manual do utilizador ou do rótulo sob o capô.
Os motores concebidos para trabalhar com lubrificantes 0W-20 costumam ter tolerâncias internas mais apertadas e componentes especificamente projetados para trabalhar com uma película de lubrificante mais fina: as folgas do pistão, os rolamentos e as árvores de cames são calculados para essa espessura específica. Não é que "aceitem" um lubrificante mais fino só porque sim: são fabricados para esse produto, como parte de uma estratégia de redução de atrito e de poupança de combustível.
Por outro lado, um motor originalmente projetado para lubrificantes 5W-30 pode ter folgas um pouco maiores ou sistemas de lubrificação concebidos para trabalhar com uma viscosidade ligeiramente superior, especialmente em condições de alta temperatura ou de carga sustentada (como condução em autoestrada, uso de reboque ou tempo muito quente).
É por isso que o número da viscosidade não é uma questão de gostos ou preferências, é uma especificação de engenharia. Mudar de 0W-20 para 5W-30, ou vice-versa, sem a autorização expressa do fabricante, significa alterar um parâmetro que o motor foi projetado para cumprir.
Aqui é aconselhável ser cauteloso e não dar respostas absolutas, porque depende do fabricante e do que está expressamente indicado no manual do veículo.
Alguns fabricantes contemplam na documentação um intervalo aceitável de viscosidades, dependendo do tipo de uso ou do clima (por exemplo, permitindo lubrificantes 5W-30 como alternativa em climas quentes ou condições de uso severo, mesmo que o lubrificante de fábrica seja 0W-20). Além disso, há outros que exigem exclusivamente a viscosidade homologada e qualquer desvio pode afetar a garantia ou o correto funcionamento dos sistemas associados (como o controlo de emissões ou os sistemas de variação de fase da distribuição, que em muitos motores modernos dependem de uma pressão de lubrificante muito específica). O lubrificante 0W-20 é o mais comum nos motores atuais, podendo ser substituído pelo 5W-30 em função do veículo e daquilo que o fabricante estabelece no manual.
A regra geral que seguimos na Repsol Lubricants é clara: não existem atalhos na lubrificação. A melhor decisão não é a que "parece razoável" vista de fora, mas aquela que coincide exatamente com a especificação e a homologação que o fabricante exige para esse motor em particular. Se o manual não contemplar alternativas, deve ser sempre utilizada a referência estabelecida pelo fabricante.
O uso contínuo de uma viscosidade diferente da especificada é um erro que pode passar despercebido, uma vez que não costuma resultar numa avaria imediata e evidente. No entanto, os seus efeitos acumulam-se ao longo do tempo e acabam por prejudicar o motor:
· Maior desgaste dos componentes: uma película lubrificante não adequada reduz a proteção entre as partes móveis, acelerando a deterioração dos rolamentos, da árvore de cames e de outros elementos críticos.
· Pior lubrificação a frio ou a quente: um lubrificante muito espesso dificulta o arranque a frio, enquanto um lubrificante muito fluido perde a capacidade de proteção a altas temperaturas.
· Aumento do consumo de combustível: uma viscosidade incorreta aumenta o atrito interno, forçando o motor a trabalhar com menos eficiência.
· Formação de depósitos e lamas: a degradação prematura do lubrificante favorece a acumulação de resíduos que podem entupir as condutas e afetar o desempenho.
· Diminuição da vida útil do motor: a médio e longo prazo, a soma destes fatores traduz-se no envelhecimento prematuro do conjunto do motor e na necessidade de reparações mais dispendiosas.
Portanto, mesmo que o problema não se manifeste imediatamente, respeitar a viscosidade recomendada pelo fabricante é fundamental para garantir o correto funcionamento e durabilidade do veículo.
Cada fabricante estabelece as suas próprias aprovações para os lubrificantes 0W-20, em função das características técnicas dos seus motores e dos padrões de qualidade que estes exigem. Consulte o manual do veículo ou a documentação técnica do fabricante para conhecer exatamente a homologação específica que o lubrificante deve cumprir para garantir o desempenho ideal e evitar possíveis incompatibilidades.